O DESPORTO COMO ESTRÁTEGIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, EM ZONAS RURAIS: CASO DE KULUPITXIA, LUNDA-NORTE
Este artigo apresenta os resultados de uma actividade de extensão universitária desenvolvida no âmbito do PLESA (Projecto Levar Educação e Saber às Aldeias), com foco no ensino primário, realizada na comunidade rural de Kulipitxia, província da Lunda Norte/Angola. A aldeia Kulipitxia encontra-se situada no município do Mussungue, na estrada Nacional nº 225. A aldeia dista à 24km da Cidade do Dundo, capital da Província. Aldeia tem um total de 386 habitantes, organizada em 110 famílias. A proposta consistiu em oferecer aulas de futebol e actividades físicas erecreativas para crianças e adolescentes, alunos da Iniciação à 4ª classe, decorreu entre os meses de Abril e Junho de 2025. A prática desportiva foi utilizada como ferramenta de inclusão social, promoção de lazer e apoio ao rendimento escolar. Os dados obtidos, por meio da observação directa e do relato dos envolvidos, como os indicam aumento significativo na participação das crianças nas actividades escolares e maior integração entre a Universidade e a comunidade local; as actividades foram materializadas por estudantes estagiários e um supervisor. Conclui-se que o desporto pode ser um importante canal de transformação social em contextos rurais. É um instrumento de inclusão, desenvolvimento local e pessoal das crianças e adolescente, promovendo saúde, cidadania, e integração entre o Ensino, Extensão e Investigação.
O DESPORTO COMO ESTRÁTEGIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, EM ZONAS RURAIS: CASO DE KULUPITXIA, LUNDA-NORTE
Adelino Evaristo Caveta Joaquim
ORCID: 0009-0006-9031-8961
Universidade Lueji A´Nkonde- Escola Pedagógica do Dundo
RESUMO
Este artigo apresenta os resultados de uma actividade de extensão universitária desenvolvida no âmbito do PLESA (Projecto Levar Educação e Saber às Aldeias), com foco no ensino primário, realizada na comunidade rural de Kulipitxia, província da Lunda Norte/Angola. A aldeia Kulipitxia encontra-se situada no município do Mussungue, na estrada Nacional nº 225. A aldeia dista à 24km da Cidade do Dundo, capital da Província. Aldeia tem um total de 386 habitantes, organizada em 110 famílias. A proposta consistiu em oferecer aulas de futebol e actividades físicas erecreativas para crianças e adolescentes, alunos da Iniciação à 4ª classe, decorreu entre os meses de Abril e Junho de 2025. A prática desportiva foi utilizada como ferramenta de inclusão social, promoção de lazer e apoio ao rendimento escolar. Os dados obtidos, por meio da observação directa e do relato dos envolvidos, como os indicam aumento significativo na participação das crianças nas actividades escolares e maior integração entre a Universidade e a comunidade local; as actividades foram materializadas por estudantes estagiários e um supervisor. Conclui-se que o desporto pode ser um importante canal de transformação social em contextos rurais. É um instrumento de inclusão, desenvolvimento local e pessoal das crianças e adolescente, promovendo saúde, cidadania, e integração entre o Ensino, Extensão e Investigação.
Palavras-chave: Extensão Universitária; Desporto; Kulipitxia; Inclusão social, Ensino Primário.
1. INTRODUÇÃO
A extensão universitária é uma das funções fundamentais do ensino superior, promovendo a interação entre universidade e sociedade. Em contextos rurais, onde o acesso a atividades educativas e culturais é frequentemente limitado, projetos de extensão podem ter impactos significativos. Este artigo relata uma experiência realizada na comunidade de Kulipitxia, onde os estudantes da Escola Pedagógica do Dundo da Universidade Lueji A’Nkonde organizaram actividades desportivas com fins educacionais e sociais. O PLESA (Projecto Levar Educação e Saber às Aldeias) tem como objectivo geral: levar a educação e saberes as aldeias para contribuir na redução do índice de crianças e jovens que se encontram fora do sistema de educação e ensino formal, por outro lado, auxiliar na alfabetização e escolarização dos cidadãos que por vários motivos nunca frequentaram a uma escola (Diambo, 2025).
Do mesmo modo, Tchipesse (2026) na sua pesquisa sobre o direito a Educação, afirma que todo ser humano tem o direito fundamental de acesso à Educação, sem qualquer tipo de discriminação com base em etnia, género, orientação sexual, língua, religião, convicção política ou opinião, origem nacional ou social, situação económica ou qualquer outra. Esse direito, estende-se ao direito à Educação Física, à Actividade Física e ao Desporto, como parte da educação geral do homem.
Carta Internacional da Educação Física, actividade física e Desporto da UNESCO (2015), tem o propósito de colocar a Educação Física, a Actividade Física e o Desporto ao serviço do desenvolvimento humano, instando todos e, em especial, governos, organizações desportivas, entidades não governamentais, círculos empresariais, mídia, educadores, pesquisadores, profissionais e voluntários do Desporto, participantes, a aderirem a ela e a disseminá-la, a fim de que seus princípios se tornem realidade para todos os seres humanos.
A Educação Física e o Desporto é uma das componentes fundamentais do processo educativo global e está integrada no currículo de ensino em Angola, segundo o Decreto Presidencial nº 212/24 de 15 de Outubro de 2024 tem o caráter obrigatório. A prática desta unidade curricular como unidade curricular imprescindível na formação geral, proporciona ao aluno um desenvolvimento multifacetado e equilibrado. A prática da mesma, contribui para a conservação da saúde, para o aperfeiçoamento das qualidades desportivas, psíquicas e éticas do individuo, aliado a associalização, a implementação de hábitos sadio para o estudo, o trabalho e para outros deveres sociais. Esta unidade curricular, garante entre outros conhecimentos, o domínio dos fundamentos das bases teóricas da Educação Física para a aplicação na vida quotidiana (Gallardo, 2004).
As actividades foram realizadas na Aldeia do Kulipitxia, município do Mussungue, província da Lunda Norte, de 21 de Abril até 30 de Junho de 2025, correspondendo o 3º trimestre do ano lectivo 2024/2025. Esse estudo tem como objectivo geral: é analisar como o desporto pode contribuir para o desenvolvimento social e escolar em zonas rurais por meio de acções de extensão.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Extensão universitária e sua função social
A extensão universitária representa a aplicação prática do conhecimento acadêmico para o benefício da comunidade. Em Angola, iniciativas desse tipo são cada vez mais valorizadas para promover o desenvolvimento local e a cidadania activa. A extensão universitária tem como um dos objetivos articular e integrar a teoria e a prática dos conteúdos das disciplinas acadêmicas do curso de Ensino Primário e o conhecimento da realidade na organização do espaço escolar. Estimula o estagiário a desvelar as teorias pedagógicas que sustentam o cotidiano da escola, com base no referencial teórico construído e aprendido no decorrer do curso, além de instigá-lo à percepção crítica do funcionamento do dia-a-dia da escola amparado no projeto pedagógico da educação física (Ferreira, 2019).
Caracteriza-se como um processo dinâmico de aprendizagem que se realiza pela prática progressiva de actividades correspondentes ao campo profissional oferecido pela habilitação específica, em situações reais, controladas e supervisionadas por professores do curso de Educação. O estágio representa momento da formação em que o estudante deve vivenciar e consolidar as competências exigidas para o exercício acadêmico-profissional, em diferentes campos de intervenção, sob a supervisão de profissional habilitado e qualificado (Lei nº 32/20 de 12 de Agosto).
O profissional vai adaptando conhecimentos, experiências, habilidades, competência e atitudes relativas à profissão docente, considerando o contacto directo com o campo de estágio e a formação teórica proporcionada pelo curso durante um período. O desenvolvimento deste estágio supervisionado descobriu novos conhecimentos, com o uso de meios de ensino naturais pedagógicos para desenvolver nos alunos uma aprendizagem criativa, experiências profissionais e de interacção com a comunidade educativa (Altet, 2001).
O estágio é uma prática de aprendizado por meio do exercício de funções referentes à profissão que será exercida no futuro e que adiciona conhecimentos práticos aos teóricos aprendidos nos cursos (Scalabrin e Molinari, 2010).
2.2 Caracterização da aldeia
A aldeia Kulipitxia encontra-se situada na província da Lunda-Norte, município do Mussungue, na estrada Nacional nº 225 e apresenta os seguintes limites geográficos:
- Sul com o rio Caluembe;
- Norte com bairro Sailenga;
- Este com o rio Camundembele;
- Oeste com aldeia Nachiri.
A aldeia Kulipitxia dista à 24km da Cidade do Dundo, na estrada Nacional, que liga o município do Mussungue ao Lôvua. Aldeia tem um total de 386 habitantes, em termo de percentagem 45% da população são crianças, 12% são jovens e 43% são adultos. Dados que foram calculados a partir do método matemático. Aldeia está organizada em 110 famílias, que moram nas casas construídas de adobes, de pau-a-pique, capim e bate-chapas.
Quanto a população estudantil, está constituída por 145 alunos, com as idades compreendidas entre os 5 aos 17 anos de idade. Sendo maioritariamente os alunos da faixa etária dos 6 aos 11 anos idade, com 83 elementos, correspondendo 57% do total de alunos. E grande parte é composta por género feminino composto por 89 alunos, equivale a 61% dos mesmos. A aldeia Kulipitxia foi fundada no ano de 1970 antes da independência administrada pelo primeiro soba que em vida se chamava Muaca Punga Txitoco, até a sua morte no ano de 2005, durante os 35 anos, ele reinou como chefe máximo e cabeça de governação.
Desde no ano de 2006 até a data presente, a aldeia é administrada pelo soba André Muanzanza de 84 anos de idade, ele contou a nós que, o nome da aldeia surgiu através de lago onde fazia-se os rituais e por isso deram esse nome. A aldeia é controlada pelo soba, um sobeta e um secretário. A população local tem como a fonte de rendimento da sua subsistência tais como: a caça furtiva, a agricultura, a pesca e o comércio dos produtos agrícolas depois de escoamento ao campo.
As actividades recreativas das crianças e jovens da aldeia são: futebol, danças tradicionais e modernas, cantos, garrafinha, literatura oral. As danças mais consumidas pela população verificamos que é a Tchianda e o Kuduro, a população da aldeia é maioritariamente são cristãs, confessa a sua fé nas seguintes denominações religiosas: Católica, Pentecostal e a Igreja Evangélica dos Irmão em Angola. As línguas faladas são: Português, Tchokwé, Tchiluba, Lingala e Ukongo. Nem todos os residentes são angolanos, alguns são provenientes da RDC, a aldeia a maioria da sua população são crianças com 45% do total da população da aldeia, conforme a Figura a seguir:
Tabela 1. Quantidade da população por faixa etária e por género
Famílias | Criança | Jovens | Adultos | Total População | ||||
M | F | M | F | M | F | M | F | |
115 | 82 | 92 | 22 | 24 | 86 | 80 | 190 | 196 |
Total | 174 | 46 | 166 | 386 | ||||
Fonte: Elaboração própria
No levantamento feito com base, as lista vindo da escola acolhedora e a inscrição dos alunos da Iniciação, a população estudantil, está constituída por 145 alunos, com as idades compreendidas entre os 5 aos 17 anos de idade. Sendo maioritariamente os alunos da faixa etária dos 6 aos 11 anos idade, com 57% do total de alunos. O género feminino é o mais predominante, equivale a 61%.
Tabela 2. Quantidade de alunos por género e faixa etária
Faixa etária | Alunos Matriculados | % | ||||
M | F | Subt | M | F | Total | |
0-5 | 3 | 10 | 13 | 23% | 77% | 100% |
6-11 | 31 | 52 | 83 | 37% | 63% | 100% |
12-17 | 23 | 27 | 50 | 46% | 54% | 100% |
≤18 | ||||||
Total | 56 | 89 | 145 | 39% | 61% | 100% |
Fonte: Elaboração própria
Tabela 3. Quantidade de alunos matriculados no Ensino Primário
Classes de Ensino | Faixa etária | % | |||||||
0-5 | 6-11 | 12-17 | ≤18 | 0-5 | 6-11 | 12-17 | ≤18 | ||
Iniciação | 13 | 7 | 65% | 35% | |||||
1ª Classe | 30 | 100% | |||||||
2ª Classe | 35 | 13 | 73% | 27% | |||||
3ª Classe | 10 | 19 | 34% | 66% | |||||
4ª Classe | 18 | 100% | |||||||
Total | 13 | 82 | 50 | 9% | 57% | 34% | |||
Fonte: elaboração própria
2.3 O desporto como prática educacional
O desporto, especialmente o futebol, possui forte apelo entre jovens e pode ser um meio eficaz de transmitir valores como disciplina, respeito, cooperação e responsabilidade. Quando utilizado de forma planejada, torna-se uma ferramenta educativa poderosa. O ensino representa não só um processo de aquisição de conhecimentos, mas também do desenvolvimento intelectual dos alunos. A educação na concepção científica do mundo, desenvolve o raciocínio dos alunos, pelo que a educação do pensamento desempenha um papel importante na formação desta concepção (Joaquim, 2025). Através dos conteúdos da Educação Física e do Desporto, os alunos podem pensar logicamente, fazer comparações, conclusões, generalizações e resolver problemas, isto permite compreender os factos e inter-relacionar os fenómenos.
A educação física e Desporto tem a finalidade de contribuir ao aperfeiçoamento físico das crianças, adolescentes e jovens, por meio de exercícios físicos, actividade desportivas e recreativas. Para a formação de cidadão activos na construção na nossa República (Mbunga, 2023). A educação física encarrega-se também de estudar a organização racional e científica dos exercícios físicos e técnicas desportivas com objectivo de melhorar o desenvolvimento físico, adequados aos níveis de capacidades de trabalho e fortalecer a saúde, prevenindo assim de doenças crónicas não transmissíveis.
Esta educação compreende o desenvolvimento de sentimentos e qualidades volitivas na formação da conciência de acordo com os princípios morais, fidelidade aos ideais da comunidade, da turma ou de grupo social. Como a honestidade, espírito olímpico, respeitar as regras do jogo, o esforço com a base do trabalho, saber ganhar e perder, etc. junto da Educação Moral e Ética, está a Educação Patriótica, para o desenvolvimento das normas de conduta que estão determinadas pelos princípios da sociedade, que é caracterizado pelo amor a pátria e o respeito pelos símbolos nacionais (Ferreira, 2019). Por isso pode-se dizer que a criança quando joga se expressa, assimila e constrói sua realidade. Por esse motivo, a participação em jogos contribui para formação de atitudes como respeito mútuo, solidariedade, cooperação, obediência às regras, responsabilidade, sendo que jogando a criança aprende o valor do grupo e seu próprio valor (Joaquim, 2025).
Em comunidades rurais como Kulipitxia, são comuns a escassez de espaços de lazer, a ausência de actividades extracurriculares e a baixa motivação escolar. A presença da universidade nesses espaços contribui para minimizar desigualdades e estimular o protagonismo juvenil. O artigo 22º da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, apresenta o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento-PNUD, “é aquele que situa as pessoas no centro do desenvolvimento, promovendo a realização do seu potencial, o aumento de suas possibilidades e o desfrute da liberdade de viver a vida que elas desejam”.
A meta nº 4: “Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos (até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e eficazes). Diambo (2025), afirma que o Estado deve promover políticas que assegurem o acesso universal ao ensino obrigatório e gratuito, nos termos definidos por lei; Promover a igualdade de direitos e de oportunidades entre os angolanos; Aumentar a taxa de escolarização do Ensino Primário e do Ensino Secundário, combater o insucesso escolar e garantir a inclusão e o apoio pedagógico aos alunos com necessidades especiais; Intensificar a alfabetização e a educação de jovens e adultos.
O Estado orienta toda actividade educativa e desportiva como um factor indispensável a cultura Angolana na formação plena da pessoa humana e da sociedade em geral. Ferreira (2019), aborda o Desporto é um fenómeno social de importância indiscutível que tem exercido a sua influência no modo de vida das populações de todo o mundo, por promover a prática regular da Educação Física e das actividades desportivas, assim como a participação activa e massiva em actividades recreativas, pois constitui um elemento fundamental na formação integral da nossa população, em especial a infância e a juventude.
A generalização da prática da actividade física e desportiva deve assentar uma adequada promoção e organização do desporto nas comunidades e na escola, mediante a melhoria da qualidade do ensino obrigatório da Educação Física e do incremento das competições desportivas escolares. A Escola é um factor de desenvolvimento da cultura desportiva do país, o Decreto Presidencial nº 212/24 de 15 de Outubro de 2024, orienta que todas as escolas existentes e a serem construídas no país devem estar dotadas de infra estruturas desportivas para albergar as aulas de Educação Físicas e as actividades desportivas que se realizam dentro ou fora do horário normal de ensino (Joaquim, 2025).
3. METODOLOGIA
Foi realizado um estudo de campo: segundo a natureza é aplicada, pois utiliza conhecimentos já existente para resolver problemas concretos em contextos reais; segundo os objectivos é exploratória, indaga fenómenos, pouco estudados para identificar variáveis, perguntas ou linhas de análise. Segundo a abordagem é mista, combina ambas abordagens (qualitativa-quantitativa) para obter uma visão mais completa dos fenómenos. O projecto foi de natureza qualitativa, com abordagem participativa. As acções ocorreram entre Abril e Junho de 2025, envolvendo alunos do curso de ensino primário da Escola Pedagógica do Dundo e crianças da comunidade. As actividades incluíram aulas de futebol, jogos recreativos e dinâmicas em grupo. Os dados foram coletados por meio de observação direta, registros em diário de campo e conversas informais com moradores e professores da comunidade.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A analise do nível de envolvimento em actividade física pela comunidade, envolve a avaliação de múltiplos factores que determinam a relação dos indivíduos com a actividade física, a saúde e bem-estar. A análise permiti gestores administrativos e pesquisadores científicos, compreenderem a real relação entre a população e o movimento e identificar os grupos de riscos (jovens sedentários, idosos com pouca mobilidade) e onde faltam infra-estrutura. A prática regular de actividade física, o acesso a infraestrutura adequada, o nível de informação da população, apoio institucional e a inclusão social são elementos fundamentais para a construção de uma comunidade mais saudáveis e equilibrada.
Durante o período do projecto, observou-se: aumento no interesse das crianças em frequentar a escola; participação activa nas actividades propostas; melhoria no comportamento e no rendimento escolar, segundo relatos dos professores locais; fortalecimento dos laços entre universidade e comunidade; protagonismo dos estudantes universitários na organização e execução das acções. Esses resultados corroboram com estudos que apontam o desporto como um meio eficaz de inclusão social, especialmente em áreas carentes de atenção educacional e cultural, como as zonas rurais (Rosa e Sergia).
Apesar da sua importância, o desenvolvimento da Educação Fisica e da Extensão universitária, enfrenta diversos desafios em comunidades Angolanas de modo geral, tais como:
- Inexistência de infraestrutura desportiva;
- Desvalorização das aulas de Educação Física;
- Falta de Professores qualificados em Educação Física e agentes comunitário desportivo;
- Escassez de materiais desportivos básicos (Joaquim, 2025).
5. CONCLUSÃO
A experiência em Kulipitxia evidencia que o desporto pode funcionar como uma importante ferramenta pedagógica e social em comunidades rurais. A aproximação entre universidade e população local, por meio da prática desportiva, contribuiu para a melhoria do desempenho escolar e para o fortalecimento da cidadania. Recomenda-se a ampliação e continuidade de projetos similares, bem como o aprofundamento em estudos que avaliem os impactos a longo prazo dessas iniciativas (Joaquim, 2025).
Os gestores desportivos e da Educação, desempenham um papel fundamental ao orientar toda a actividade educativa e desportiva como um factor indispensável para o fortalecimento da Cultura Física Angolana e para a formação integral da pessoa humana e da sociedade em geral. Torna-se indispensável que todos os sectores da sociedade se envolvam na valorização e fortalecimento da cultura física, garantindo um futuro mais saudável para as gerações presentes e futuras.
6. BIBLIOGRAFIA
Assembleia Nacional. Lei nº 32/20 de 12 de Agosto, que altera a Lei nº 17/16 de 7 de Outubro: Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino. Luanda: Imprensa Nacional, 2020.
Decreto Presidencial n.º 212/24 de 15 de Outubro. PLANADESPORTO - Plano Nacional de Desenvolvimento do Desporto. Luanda: Imprensa Nacional
Diambo, F.T.P. Insuficiência de Escolas e o Direito à Educação dos cidadãos em zonas rurais em Angola: O caso da Província da Lunda-Norte. Congresso internacional de Pedagogia, Kuito: ISCED-BIÉ, 2025.
Diretrizes em Educação Física de qualidade para Gestores de política. UNESCO, Brasília: 2015.
Ferreira, H. S. Abordagem da educação física escolar: da teoria à prática. Fortaleza: EdUECE, 2019.
Gallardo, J. P. Educação física: Contribuição à formação profissional (4ª ed.). Ijuí: Ed. Unijuí, 2004.
Joaquim, A. E. C (2025). Metodologia de Ensino da Educação Física: Desafios e Reflexões. Luanda: Essência Editora, 2025.
Mavunda, R. M. e Cacoma, S. G.M. Relatório de Estagio Supervisionado. Escola Pedagógica do Dundo: Dundo, 2025.
Mbunga, H. Desporto e exercícios físicos: Benefícios, modalidades e problemas. Luanda: Mayamba Editora, 2023.
Mesquita, E. C. Competência do Professor. Lisboa: Edições Silabo, 2011.
Scalabrin, I. C., & Molinari, A. M. A importância do Estágio Supervisionado nas Licenciaturas. Araras: UNAR, 2014.
Tchipesse, F. M. Politica educativa e a garantia do direito a educação. Luanda: Revista Multidisciplinar KILAMBA (no prelo), 2026.
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