Educação

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA CRIANÇA EM SALA DE AULA E SUA IMPLICAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

A análise do comportamento da criança em sala de aula é de grande importância no processo ensino-aprendizagem, pois com ela, podem-se ver resultados de forma objectiva. A utilização de acções contingenciais adequados traz resultados bastante eficientes. A base para toda e qualquer aprendizagem é a experimentação e para cada processo de aprendizagem existem contingências específicas favoráveis, cujo objecto epistemológico de análise, é o comportamento manifestado dentro e fora da sala de aula. Para o alcance dos resultados da pesquisa, o trabalho seguiu uma revisão bibliográfica com recurso a abordagem descritivo enquadrado no paradigma compreensivo- positivista, com enfoque epistemológico qualitativo e, com técnicas de análise documental e descrições através de narrações.Sendo assim, a pesquisa irá contribuir para o processo de ensino-aprendizagem no contexto educacional.Portanto, o presente estudo visa esclarecer como se dá o processo de ensino-aprendizagem na educação segundo os preceitos da teoria comportamental de Skinner, e com isso, compreender os benefícios desta teoria para um melhor conhecimento da mesma.Em suma, acredita-se que este trabalho, possa ampliar a visão dos leitores referente à análise do comportamento para o incentivo de novas pesquisas, não só no contexto da educação como em outros meios de intervenções.

FAUSTINO MOMA tchipesse Tchipesse

FAUSTINO MOMA tchipesse Tchipesse

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38 min10 de set. de 2026
AlunoProfessorEnsino-aprendizagemEducaçãoReforço

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA CRIANÇA EM SALA DE AULA E SUA IMPLICAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Faustino Moma Tchipesse[1];

Martha Cepero Herrera[2]

RESUMO: Fazer análise do comportamento da criança em sala de aula é de grande importância para promoção de um ambiente significativo de ensino-aprendizagem, pois com ela, é possivel ver resultados de forma objectiva. A utilização de acções contingênciais adequados traz resultados bastante eficientes. A base para toda e qualquer aprendizagem é a experimentação e para cada processo de aprendizagem existem contingências específicas favoráveis. Para o alcance dos resultados da pesquisa, o trabalho seguiu uma revisão bibliográfica com recurso a abordagem descritivo enquadrado no paradigma compreensivo- positivista, com enfoque epistemológico qualitativo e, com técnicas de análise documental e descrições através de narrações.Sendo assim, a pesquisa irá contribuir para o processo de ensino-aprendizagem no contexto educacional.Portanto, o presente estudo visa esclarecer como se dá o processo de ensino-aprendizagem na educação segundo os preceitos da teoria comportamental de Skinner, permitindo destacar os benefícios desta teoria para melhor conhecimento da mesma.Em suma, acredita-se que este trabalho, possa ampliar a visão dos leitores referente à análise do comportamento para o incentivo de novas pesquisas, não só no contexto da educação como em outros meios de intervenções.

Palavra-Chaves: Aluno. Professor. Ensino-aprendizagem. Educação. Reforço.

ABSTRACT: The analysis of the child's behavior in the classroom is of great importance in the teaching-learning process, as with it, results can be seen objectively. The use of appropriate contingency actions brings very efficient results. The basis for any and all learning is experimentation and for each learning process there are specific favorable contingencies. To achieve the research results, the work followed a bibliographical review using a descriptive approach framed in the comprehensive-positivist paradigm, with a qualitative epistemological focus and, with document analysis techniques and descriptions through narrations. Therefore, the research will contribute for the teaching-learning process in the educational context. Therefore, the present study aims to clarify how the teaching-learning process takes place in education according to the precepts of Skinner's behavioral theory, allowing us to understand the benefits of this theory for a better knowledge of it In short, it is believed that this work can broaden readers' vision regarding behavior analysis to encourage new research, not only in the context of education but also in other means of interventions.

Keywords: Student. Teacher. Teaching-learning. Education. Reinforcement.

  1. INTORUDUÇÃO

A educação como teoria educativa no melhoramento humano dos estudantes, a família e a comunidade constitui um elemento vital na formação nas novas gerações, que encaminha a consolodação do ser humano na mudança do comportamento. Desde uma visão teórica da educação o homem ocupa uma posição central o que corresponde com o propósito da educação na visão holística, contribuir a formação integral da personalidade do indivíduo, faixa principal para adquisição de conhecimentos, normas de comportamento e valores éticos com realce do humanismo. Durante séculos o papel da escola foi pouco significativo, sendo a família a cumprir a tarefa da transmissão cultural e da preparação das crianças para uma profissão ou oficio.

A educação tem-se revelado primordial para uma aprendizagem afectiva, ela socializa desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar propiciando aos estudantes resultados superiores sendo um verdadeiro alicerce da aprendizagem, o éxito está ligado a factores de interesses no cumprimento de regras de disciplina na escola, que atingem a um bom andamento no aprendizagem, e qualidade nos relacionamentos humanos principalmente entre professor- aluno.

2.FUNDAMENTAÇÃO TEORICA

2.1 CARACTERIZAÇÃO DO COMPORTAMENTO DA CRIANÇA EM SALA DE AULA

Entre os problemas de diferentes naturezas, os quais se revelam quando se olha para a
escola, estão as queixas acerca de conflitos na sala de aula, relacionados à indisciplina, à
agressividade e à violência. Os problemas escolares são tratados, «na sua grande maioria,
como problemas de aprendizagem, para os quais existem vários rótulos psicopatológicos na
sociedade actual» (GONZÁLEZ REY & MARTÍNEZ, 2017, p. 91).

A indisciplina figura como um dos problemas mais mencionados entre os que perturbam o dia a dia nas escolas, preocupando seus profissionais e conduzindo-os a busca de alternativas capazes de oferecer respostas que se revelem efectivas para enfrentá-la.

Esta visão pedagógica, resulta da diversidade de situações-problema vivenciadas
como professor na e supervisor em instituições de Ensino primário, Ensino Secundário ,
e Superior, diante das queixas de professores sobre o desinteresse e o mal comportamento dos alunos na sala de aula, que são reveladas, em reuniões pedagógicas e nas reuniões de pais e encarregados de educação.

Nos encontros rebe-se informações de varias ordens, as famílias tem vindo apontando o desinteresse e a indisciplina dos alunos. As observações, também são feitas por professores, reforçados pela direcção da escola e, muitas vezes, repetidos pelos pais que geram angústias, preocupações e exigem acções por parte da escola. É frequente o discurso de que o aluno não tem interesse pelos estudos ou que a família não cumpre sua função de acompanhar os filhos.

As avarias pedagógicas que assistem nas escolas, tem vindo a permitir que os professores, por sua vez, «parecem desenvolver um ensino que pouco considera os alunos, suas características emocionais e psicológicas, assim como suas dificuldades e, nessa circunstância, desenvolvem uma acção distante de suas necessidades» (LIMA, 2018, p.17).

Esta perspectiva, nos aproxima de uma visão didáctica que se apoia numa tendência pedagógica progressista, sobretudo se partirmos de pressuposto de a falta de comprometimento com a educação e o ensino subscrito nas agendas nacionais e internacionais, podem fazer com que «o aluno deixa de corresponder ao que a escola espera dele, ou que, de alguma forma, se desvia daquilo que o professor idealiza, passa a ser visto como desinteressado, ausente e indisciplinado, e começa a ser alvo de preocupação, quando atrapalha o desenrolar da aula ou não apresenta os resultados esperados»(LIMA, Op. Cit, p.18).

Dessa forma, as interacções em sala de aula estão marcadas por sentimentos contraditórios. O professor está empenhado em instrumentalizar o aluno com aquilo que ele não tem, e o aluno precisa adaptar-se para ter sucesso, correspondendo às exigências que lhe são feitas pela escola, mas muitas vezes, parecem não compreender as regras que lhe são impostas.

A indisciplina é descrita por Costa (2002) como: «aquele acto que não está em correspondência com as leis e normas estabelecidas pela escola e, por esta razão, imprime uma desordem no que até então estava prescrito [...] existindo em contradição a uma regra estabelecida. Assim, ao produzir sua disciplina a escola produzirá também sua indisciplina» (COSTA, 2002, p. 44). Compreendida dessa forma, «ela se reporta ao descumprimento das normas, ensejando uma desordem, um desequilíbrio nas relações que acontecem na sala de aula» (LIMA, Id, p.19). Trata-se, logo, de um jogo de forças e interesses, revelando posições antagónicas entre o que o professor propõe e o que o aluno faz.

As rotinas feitas em escolas primárias e não só, é possível constar outros problemas que denunciam os altos de níveis de indisciplinas sobretudo. Entre estes aparecem para além da sala de aula, aquelas relacionados com: «paredes riscadas, carteiras destruídas, banheiros estragados, que sinalizam comportamentos destrutivos e resultam em prejuízos materiais para a escola e em diferentes dificuldades apresentadas pelos próprios estudantes» (TCHIPESSE, 2020).

Essa relação constitui-se objecto de preocupações dos professores e de mais outros profissionais da escola. Uma das preocupações da escola e dos seus professores, ao receber as crianças no início do ano, refere-se ao estabelecimento de regras, de modo que possam melhor conduzir os alunos àquilo que seria a função da escola, ensinar. Mesmo se estabelecidas em clima democrático, essas regras nem sempre são colocadas em termos daquilo que o aluno pode cumprir, pois nem sempre compreende o seu significado. E quando as descumpre, passa a ser descrito como indisciplinado.

Ademais, estas situações muitas vezes tendem a perturbar as dinâmicas que o professor entende ser necessário antes durante do processo de ensino-aprendizagem. Os desequilíbrios pedagógicas na aplicação de tais dinâmicas na sala de aula levam com que em alguns momentos internacionais «aparecem nas conversas paralelas entre os alunos, principalmente aquelas que estão relacionadas com a falta de atenção e de limites, na desobediência, na agitação, na movimentação excessiva ou desordenada, que produz barulho, provoca tumulto e bagunça, revelando conflitos existentes no contexto (LIMA, p.19). Novamente, parece estar demarcada uma distância ou um conflito de interesses, compreensões e acções dos participantes das relações estabelecidas na sala de aula. Parece haver uma distância entre o planejado, o seleccionado pelo professor e o que acontece como resultado
de sua acção, no que diz respeito ao comportamento dos alunos, que, por vezes, configura-se
como indesejado.

A disciplina não deve ser considerada apenas como o silêncio e a ordem, nem como um «pré-requisito para a acção pedagógica, [mas sim como] um dos produtos ou efeitos do trabalho quotidiano de sala de aula» (AQUINO, p. 202). Em acordo com o fundamento do autor, pretendemos lembrar que muitas actividades pedagógicas são planificadas com o objectivo de encorajar a participação dos alunos e exigem que eles se movimentem pela sala e por outros espaços da escola, que interajam com seus pares, o que termina por causar agitação e barulho.

Entretanto, nem sempre o professor considera essas situações como decorrentes desta planificação, e contraditoriamente, passa a exigir um clima de silêncio e de tranquilidade, incompatíveis com a euforia decorrente da actividade proposta. Situações desta natureza também terminam sendo classificadas como indisciplina.

Conforme destaca Lima (2000):


Quando o aluno deixa de corresponder ao que a escola espera dele, ou que se desvia de alguma forma do que o professor idealiza, passa a ser visto como desinteressado, ausente e indisciplinado, e passa a ser alvo de preocupação e crítica na medida em que atrapalha o desenrolar da aula. Dessa forma as relações estabelecidas na sala de aula estarão marcadas por sentimentos contraditórios (LIMA, 2000, p. 3).

Esses sentimentos nem sempre são considerados, tendo em vista a prioridade destinada
ao cumprimento das responsabilidades docentes e a preocupação com os resultados que os
alunos precisam alcançar ao final de cada etapa ou determinado ano lectivo. A prática
pedagógica parece estar muito voltada para concepções estereotipadas de aprendizagem e para
a crença de que são necessárias certas condições para que ela ocorra. Equívoco persistente está na ideia de que para aprender é sempre indispensável silêncio, concentração, não comunicação entre os alunos, material escolar devidamente arrumado sobre a carteira, etc.

Tais exigências podem implicar na postura rígida do professor em relação ao aluno e ao modelo de ensino que propõe. A esse respeito, González Rey (2008) apud (LIMA, 2018, p.20) diz que, «no ensino escolar, ainda estão muito presentes concepções nas quais são dadas ênfases a situações de reprodução e não de criação, em que a aprendizagem está mais orientada para a transmissão de informações do que para a discussão e reflexão dos conhecimentos, exigindo do aluno um papel passivo». Respaldados por essas concepções equivocadas, professores passam a considerar como subversão ou rebeldia qualquer intervenção do aluno que fuja daquilo que deveriam ser as respostas esperadas deles dentro dos conteúdos propostos.

Assim também ocorre com relação ao seu comportamento: esperam dos alunos condutas participativas, desde que estas não se distanciem de padrões esperados e aceitos pelo professor. Tal postura parece denunciar a necessidade do professor de ter sempre à mão, estratégias pedagógicas que funcionem diante dos diferentes desafios apresentados no processo ensino-aprendizagem pelos alunos. Se considerarmos que somos seres diversos e dinâmicos, então, não podemos lidar com os comportamentos dos alunos como algo totalmente previsível. Ao contrário do que se acredita, previsão e controle podem gerar liberdade. Quando se diz que é possível prever um comportamento, não significa propriamente dizer qual será o futuro da pessoa, mas da probabilidade de se produzir um tipo de interação. Quanto mais soubermos quais e como as variáveis afetam nosso comportamento, maior será a nossa "liberdade" de mudar nossos caminhos e alterar o nosso futuro (SKINNER, 1998, 1999).A Fundamento de Skinner (1969, 1972) em relação a análise do comportamento produziu conhecimento sólido acerca do comportamento humano, o que possibilitou sua aplicação ao contexto educacional de Angola.

Nesta direcção, para respoder as principais linhas estruturantes da politica educativa, cumpre adaptar a «planificação dos conteúdos às características e necessidades dos estudantes e não utilizar propostas elaboradas, com base em demandas de outros momentos e circunstâncias, como se fossem manuais, que se aplicam indiscriminadamente a todos os alunos e situações» (LIMA, Op. Cit). O silêncio, a obediência e o cumprimento de regras na escola nem sempre significam, a efectiva participação do aluno na dinâmica da sala de aula, nem constituem factores que isolados, asseguram a aprendizagem. Por outro lado, a agitação, o barulho, as inquietações, as tensões, os conflitos e outras situações que perturbam o clima da sala de aula nem sempre ensejam ou denunciam problemas.

No entanto, eles carregam, em si, significados que precisam ser investigados, antes de serem classificados como transtornos que devem ser encaminhadas às equipes especializadas dentro da escola ou para diagnóstico por profissionais de saúde. Nesta direcção é que se elaborou o presente estudo com o objectivo de investigar as singularidades de estudantes envolvidos em situação de indisciplina na sala de aula.

Uma das queixas presentes na maioria dos encontros de professores é «os alunos não tem interesse em aprender o que queremos ensinar». Esse facto afecta directamente professores e alunos em função das áreas de estudo, dos níveis do sistema educacional e das características socioculturais de quem aprende, entre outras variáveis. No entanto em toda acção educativa o professor deve responder as questões relacionadas com o comportamento dos alunos dentro e fora da sala de aula: como conseguir dos alunos um comprometimento pessoal com a sua própria aprendizagem, e uma profunda implicação nas tarefas escolares?

Um dos problemas que nós, professores, enfrentamos dia a dia é o dos alunos que não parecem ter interesse algum em compreender e aprender o que tentamos ensinar-lhes. Quando nos deparamos com alunos aparentemente pouco motivados, tendemos a pensar que são desinteressados, que sua atenção está em outras coisas, que talvez não lhes interesse o que ensinamos porque não entendem.

As vezes, pensamos que o motivo esta no facto de as condições em que trabalhamos não facilitarem a motivação para aprendizagem. As novas tendências pedagógicas, fazem-nos entender que «a maioria dessas condições-programas excessivamente carregados, muitos alunos por sala de aula, falta de matérias adequados, influência negativa da família, perspectivas de futuro negativas- escapa ao nosso controlo, o que costuma nos dar uma visão bastante pessimista da possibilidade de motivar esses alunos, pessimismo que aumenta à medida que avança a escolaridade» (TAPIA & FITA, 1999, p.13), entretanto etas variáveis de interesse e motivação pode alterar o comportamento do aluno na sala de aula.

A luz destas considerações parece, pois, necessário conhecer as variáveis pessoas que influem no interesse e na motivação com que os alunos enfrentam as tarefas escolares e nas mudanças que produzem à medida que uma actividade transcorre, e como as diferentes pautas de actuação que os professores podem adoptar interagem com tais características, contribuindo significativamente no comportamento dos alunos que uma por outra razão se encontram desmotivados. Sabemos que a educação […], é um saber fazer, ou seja, é tudo aquilo que fazemos a cada dia, a cada vez que colocamos em prática as nossas teorias relativas à formação da pessoa no seu encontro com o conhecimento (CABA, 2022, 37).

Ao ser assim, é coerente afirmar que «escola deve ajudar o aluno a transformar sua interdependência real em solidariedade desejada» (CABA, Op. Cit.,).Dentro de uma sala de aula é possível ver os alunos que se destacam por ser inquietos, outros mais esforçados ou ainda tímidos. Esses traços irão depender de diversos factores e se vão se tornando nítidos para os professores através do convívio diário. A sala de aula deve ser visto como «o espaço-tempo privilegiado da comunicação didáctica de relação intersubjectiva e objectiva que, supõe a presença de sujeito interagindo entre si» (TCHIPESSE, 2020, p.80). Todavia, o professor e o aluno possuem diferentes níveis de compreensão da realidade, e o diálogo em aula, não deve ignorar este dado, mais sim incorporá-lo como elo de relação entre ambos, assente nos pressupostos éticos.

Na sala de aula, enquanto contexto de ensino pode configurar-se como local apropriado para a observação das relações professor-aluno, bem como as demais variáveis que interferem no processo de ensino-aprendizagem. Os comportamentos académicos e não académicos dos alunos e dos professores devem ser observados com regularidade, porém a supervisão destas acções devem ter como base algumas categorias comportamentais. Através destas observações, pode-se perceber se ouve ou não uma correlação directa entre o desempenho no procedimento computorizado e alteração do desempenho (aumento percentual dos comportamentos académicos, do contacto com o professor, entre outros) das crianças em sala de aula.

Apesar disso, esse tipo de procedimento propõe-se a verificar mudanças que vão além das encontradas em situações experimentais controladas pelo professor. Entretanto, referir que o professor não deve perder tempo em controlar o mau comportamento dos alunos, deve dar continuidade ao que foi definido colectivamente como política de acção pedagógica, realizando um trabalho que requer tanto solidariedade em compartilhar poder e responsabilidades, quanto capacidade de decisão.

Diferente disso, problemas de comportamento na escola sobretudo que dizem respeito a todas as crianças que não respeitam a autoridade do professor, que não prestam a devida atenção na actividade ou descumprem as regras e combinações do ambiente, passam a demostrar altos níveis de implicações no processo de ensino-aprendizagem.

O professor deve saber que «para exercer essas funções, seja na sala de aula seja no âmbito mais amplo da instituição de ensino, da organização e gestão do trabalho escolar, o professor necessita ter conhecimentos sobre esse aspecto da educação» (TCHIPESSE, Op. Cit., p.82). A escola deve fortalecer a relação entre professor-aluno, pois esta dinâmica constitui o cerne do processo pedagógico Esta relação pedagógica visa o pleno desenvolvimento da personalidade do aluno no respeito pela sua autonomia e, deste ponto de vista, a autoridade de que os professores estão revestidos tem sempre carácter paradoxal, uma vez que, não se baseia numa afirmação de poder, mas no livre reconhecimento da legitimidade do saber.

2.2 Implicações do aluno na aprendizagem

Há percepção dos agentes envolvidos no processo de ensino-aprendizagem no sentido de considerar que, em Angola, o sistema de ensino vigente ainda consegue lidar adequadamente com a complexidade das realidades socioculturais, em particular, com as dinâmicas da globalização e as correspondentes mudanças estruturais do mercado de trabalho.

A ineficiência das respostas institucionais, até agora ensaiadas pelo estado pós-colonial, exige reformas urgentes […] na prática de gestão e nos modos de organização e funcionamento das escolas, nos pais (MED, 2018, p.23). A massificação do ensino trouxe maior diversidade para a escola e, com ela um conjunto de situações sociais de grande complexidade, que já não se compadecem com a uniformidade e a rigidez programáticas actualmente vigente. Estas obstruem o desejável processo de flexibilização e adequação das práticas pedagógicas conducentes, negando á escola o seu papel central na viabilização da qualidade do ensino-aprendizagem.

Ademais, estas mudanças devem ser enquadradas, ao nível macro, pela definição clara de políticas pedagógicas e aprendizagem pretendidas, tal como a criação de condições que possibilitem uma relativa autonomia dos contextos locais na adequação dos respectivos conteúdos às necessidades diferenciadas de cada ambiente de sala de aula.

Os processos envolvidos na modificação através da experiencia esteve na base da busca pela essência do termo aprendizagem. Teóricos como Wittrock, Pessanha & Leite (2020, p.61), definiram aprendizagem como «processo de aquisição, de modificação relativamente permanente na com preensão das atitudes, conhecimento, informação, habilidades e competências da experiencia». A racionalidade reservada, única e exclusivamente ao homem, nos remete a olharem para o exercício da aprendizagem como condição de busca pela sobrevivência.

A capacidade de aprender torna possível as gerações vindouras como meio para tirarem proveitos das experiencias e descobertas das gerações anteriores, acrescentando a sua própria contribuição e assim promover o progresso na sociedade (LEITE, 2020). No entanto, o professor deve ser um agente que assume a responsabilidade de ajudar o aluno a desenvolver suas habilidades pessoas, ou seja deve leva-lo a reflexão profunda sobre a sua própria consciência e, com isso analisar de forma criteriosa os níveis de ignorância. O professor deve persuadir o aluno levantando objecções contra as opiniões que ele tenha sobre algum assunto e que julgue ser verdade. Desta forma, «estaria a cumprir com algumas tarefas da aprendizagem» (LEITE, Op. Cit.,p.64).

2.3 O papel da escola e do docente na aprendizagem dos alunos

A escola é uma instituição que desenvolve processos de ensino, com objectivo de formar cada indivíduo em seus aspectos culturais, históricos, sociais, antropológico e cognitivo. A origem da escola como instituição está ligada «á origem da escrita; porém é de salientar que a essência da escrita é anterior a origem e á institucionalização da escola que é uma consequência da necessidade da escrita» (BOAVENTURA, 2005, p. 14, apud TCHIPESSE, 2018, p.13).

a escola prepara a criança, futuro cidadão, para a vida, e transmiti valores éticos e morais aos estudantes […] (SAVIANE,1985). A escola é um espaço organizado proposto para o ensino e aprendizagem. […], sendo assim podemos caracterizar a sala de aula como espaço onde os professores ensinam e os alunos aprendem[…] (TCHIPESSE, 2019, p.79).

Do ponto de vista histórico, o processo de aparecimento e consolidação da escola como instituição mais influente na socialização dos indivíduos, tem como objectivo garantir a transformação cultural, social e económica do sujeito cognoscitivo. Este processo transformacional pode ser ordem ideológica, política, social ou económica.

A escola é realmente uma continuidade de família e do qual o sujeito provem. Ela reforça e valoriza conhecimentos que estes já trazem de casa. Ademais, a escola pode ser caracterizada como um espaço para criar rupturas de valores e saberes desprezados, ignorados e ela necessita sempre de reiniciar a inserção cultural dos jovens, ou seja, permitir que os jovens que vem das classes sociais baixas sejam submetidos a nova aprendizagem obedecendo criteriosamente os padrões culturais e sociais dos indivíduos que vem da classe alta.

Durante séculos, o papel da escola foi pouco significativo, sendo a família a cumprir a tarefa da transmissão cultural e da preparação das crianças para uma profissão ou ofício. Partindo deste pressuposto podemos afirmar que, a escola é um ambiente de transformação do indivíduo e de relações sociais, pois ela é considerada como o centro de cultura e de formação do homem, ou seja é o lugar onde o homem desenvolve as suas capacidades humanas e espirituais. De acordo com Bollen (1997, p.29) apud Guerra (2001, p. 9), diz que «a escola tem de aprender para saber, e essa aprendizagem significa saber ensinar, saber quem se ensina e onde se processa esse ensino». É necessário que a escola saiba como aprender, já que o saber não se adquire de forma espontânea, automática e fortuita. Isto significa que a escola está simultaneamente, ao serviço do indivíduo e da sociedade.

O indivíduo é de facto, o primeiro beneficiário da educação que recebe. Portanto as funções individuais do indivíduo são premiadas pela escola, pois este último tem como a função promover o desenvolvimento integral da personalidade, levando o sujeito a uma plenitude humana, adaptá-lo à vida, para lhe tornar possível o êxito na vida. O papel da escola está consubstanciada na formação para a cidadania (BRÁS, 2019). Certamente, devemos caracterizar a escola como o lugar da promoção da pessoa. O resgate dos valores morais e éticos, passa pela compreensão dos ideias da escola, e este processo não deve se resumir somente em estruturas e meios materiais a disposição, mas de definirmos a escola como espaço de mudança de comportamento, capaz de formar homens livres, íntegros, abertos e responsáveis.

Para Gairin (1999) apud Guerra (2001, p.36), «a escola deve ser uma comunidade de aprendizagem e não apenas de ensino». Importa admitir que a escola não está situada no vazio, pelo contrário, encontra-se imersa na sociedade, pois, é dela que se recebe influências que garantem o cumprimento do seu real papel na sociedade. Partindo desta perspectiva, podemos afirmar categoricamente que os profissionais que trabalham na escola fazem parte de uma cultura que constitui uma rede de crenças, expectativas, normas e comportamentos. Outrossim, as normas ou os regulamentos que determinam as acções sociais da escola devem aplicar-se aos pais e encarregados de educação dos alunos.

É, interessante pensarmos numa cultura própria da escola, visto que o processo de integração de nova forma de convivência social abre margens de categorizar os novos valores sociais, crenças, normas, mitos, rituais, costumes e estereótipos. É impensável uma escola cujos protagonistas deixem à entrada todas as influências e condicionantes da cultura. A escola é vista como necessária porque salva do analfabetismo, do obscurantismo e desenvolve a capacidade de auto protecção e defesa. É um lugar de aprendizagem de conhecimentos não adquiridos no ciclo familiar.

A escola «é criada, num contexto de valorização da ciência e de preocupação com a formação de um novo homem, adequado às novas regras e aos novos princípios. Sua função disciplinadora, normatizadora, desde o início é muito clara, quase inerente» (AQUINO, 2011, p.47). Mas seu papel de levar as novas gerações os conhecimentos necessários para a vida social também jamais foi negado. A instituição escolar tem sido objecto de estudo dos filósofos, sociólogos, psicólogos e pedagogos. É vista como um instrumento de reprodução, manutenção e estratificação social. É desta forma que surgem as diferentes teorias de educação proporcionando ao indivíduo experiências que respondam as suas necessidades educativas, assegurando as exigências que surgem no seu dia-dia.

Para Lorensetti, Katya Cristina et al (2007, p.74) apud Tchipesse (2018, p.14) «as teorias partem do princípio de que a escola é uma instituição que, por meio de suas práticas, conhecimentos e valores veiculados, têm contribuído para a reprodução das desigualdades da sociedade de classe em que vivemos». Pois,

no interior de uma sociedade de classes existem diferenças culturais. As elites possuem um determinado património cultural constituído de normas de falar, de revestir-se, de valores, etc. Já as classes trabalhadoras (ou dominadas, como são identificadas pelos autores) possuem outras características culturais, diferentes, não inferiores, pois têm lhes permitido sua manutenção enquanto classe.( Katya Cristina et al Op Cit, p.74).

Ela é vista como um ambiente socializador que propícia o desenvolvimento individual e social, é a categoria que aparece em terceiro lugar, e exprime a ideia de que a escola não transmite apenas o conhecimento formal, mas serve também para que as pessoas sintam-se mais adaptadas ao seu ambiente social. A escola, por sua vez não deve ignorar as diferenças socioculturais, seleccionando e privilegiando em sua teoria e prática as manifestações e os valores culturais das classes dominantes. O autor para descrever as diferenças sócio culturais que a escola promove diz que, «a escola, como entidade socializadora, tem hoje a responsabilidade e uma participação fundamental na formação do carácter dos indivíduos que estão sob a sua admoestação formal»(ARANHA,2001).

Os estudantes filhos das classes dominantes, alcançam o sucesso escolar com mais facilidade do que para aquelas que têm que desaprender uma cultura para aprender um novo jeito de pensar, falar, movimentar-se, enfim, ver o mundo, inserir-se neste e ainda ser bem-sucedido. Bourdieu chama isso de violência simbólica, ou seja, o desprezo e a inferiorização da expressão cultural de um grupo por outro mais poderoso económica ou politicamente, faz com que esse perca sua identidade e suas referências, tornando-se fraco, inseguro e mais sujeito à dominação. A escola deve ser um espaço de educação e de cultura na instrução e ir mais além, com actividades culturais e desportivas, organização da própria vida escolar e atendimento aos alunos fora da classe. De acordo Cunha,

deve-se também introduzir uma dose […], a fim de garantir maior igualdade de oportunidades aos indivíduos e garantir o acesso a bens escolares fundamentais, ou seja, um mínimo escolar. A escola justa deve também preocupar-se com a utilidade dos diplomas. Ao mesmo tempo, deve velar para que as desigualdades escolares não produzam, por sua vez, demasiadas desigualdades sociais. (CUNHA,2010, p.48).

As instituições devem repensar sobre que tipo de sociedade ela pretende construir, haja vista que ela tem participação preponderante na formação do carácter social dos indivíduos, e, portanto, tem em suas mãos o poder de intervenção pelos mecanismos da educação, consolidar as relações sociais de acordo com os padrões exigidos pela sociedade (NOBRE & SULZART,2018).

Ela tem como papel social a tarefa de encaminhar acções por meio de processos educativos que venham despertar o compromisso social dos indivíduos, das entidades e dos grupos sociais, objectivando fazer uma só aliança, capaz de promover mudanças e transformações no cumprimento do dever educacional, na preparação e formação de alunos que sejam cidadãos portadores de uma nova visão de mundo reinventado, através da criticidade e da participação.

Cunha diz que «a escola deve educar os alunos independentemente de seu rendimento educacional, deve premiar o diálogo entre família e os principais agentes da escola, tal processo se torna eficaz, quando os alunos são tratados como sujeitos em evolução e não como alunos engajados em uma competição» (CUNHA, Op. Cit.,). Diante destas análises e preposições é mister afirmarmos que, «os sistemas escolares são actualmente também imensas máquinas burocráticas, nas quais o sentido do trabalho, constantemente reafirmado no discurso dos adultos, é muitas vezes, negado na prática». (PERRENOUD, 1995, p. 82). Analisamos o peso da distinção nos trajectos escolares, e percebemos que «cada um tem por finalidade mostrar o que vale e na escola aprendemos que o saber é um recurso para se exercer o poder. A escola tem sempre um discurso aprioristicamente normativo, com pouca ênfase na construção do sentido do trabalho escolar» assim diz (PERRENOUD Op. Cit., p. 196).

A análise feita permitiu-nos olhar no conceito de escola com um fim de democratização pois possui diversos e complexos aspectos que conformam um todo indissolúvel e no qual a exclusão de um dos factores pode inviabilizar a proposta que a escola oferece. Sustentamos a ideia de democratização da educação tal como defende a Lei de Base da educação do nosso pai. De acordo com LBSEE n.º32/20 que define o sistema de Educação e Ensino, a democratização da educação outorga-se como um dos princípios (art. 5 da Lei n.º32/20). Ela,

Consiste em não fazer qualquer distinção, pois todos os indivíduos directamente envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, na qualidade de agentes da educação ou de parceiros, têm direito de participar na organização e gestão das estruturas, modalidades e intuições afectas ´ educação, nos termos a regulamentar par cada Subsistema de Ensino

Esta concepção encontra suporte dos fundamentos de Valente e Arelaro. Estes entendem que:

A democratização da educação é uma das lutas históricas de todos aqueles que acreditam ser possível alterar nossa realidade social injusta. Nesse sentido, ela é uma acção política, avessa a tecnicismos ou mudanças meramente burocráticas e visa enfrentar e superar dificuldades construídas ao longo dos tempos e que acabaram por se sedimentar em nossas instituições e nas relações interpessoais.(Valente & Arelaro,2002, p. 9)

Para Gadotti (2000), pedagogia revolucionária, significa que ela não esconde as relações existentes entre educação e sociedade, entre educação e poder, ou seja, ela não esconde o papel ideológico, político, da educação. Desta forma, é utopia que todos os problemas sócias se resolvem pela educação, mas é certo que ela representa uma condição indispensável para resolve-los. Pierre Bourdieu (2002), na sua obra a reprodução perpassa algumas características importantes para a compreensão de seus conceitos. É importante ressaltar numa perspectiva de análise, “a função da escola é meramente ideológica, menos do que instauradora de um processo de subjectivação, funciona, isso sim, como amplificadora de um mecanismo que já se desenvolve em cada indivíduo, a estruturação da subjectividade”, isto é segundo Gallo (1995, p.11). O autor continua fazendo fundamento de que,

a função ideológica da escola não é, porém, necessariamente inerente a ela; percebemos que na história social da dominação do homem sobre o homem, a escola tem servido de suporte, como um dos aparelhos ideológicos - nesta nossa época ainda o mais importante, dada a sua abrangência a serviço do Estado[…](GALLO, p.11)

A educação é um facto social que, a princípio, tem por função socializar, integrar gerações imaturas na sociedade e desenvolver a sociedade em geral e os indivíduos em particular. No entendimento de Gomez ( 1999, p.8, apud Guerra, 2001, p. 26).

a escola converte-se numa instância contra -hegemónica que ainda as pessoas a descobrir as ratoeiras de uma cultura que não está assente em valores. Ao rever os seus próprios parâmetros, a escola converte-se num modelo de funcionamento educativo capaz de gerar uma estratégia de transformação da sociedade.

A escola deve ser cidadã, cumprir a sua responsabilidade social de educar e instruir as novas gerações, o que exigirá dela uma nova postura, diferente da idealizada nos modelos tradicionais de educação. A escola, tem, pois, as funções de ajustamento e desenvolvimento social. Mas, além dessas funções, “a escola enquanto espaço de concretização das políticas educativas, propõem acções educacionais, especialmente a sistemática, exerce (entre outras), as seguintes funções:

  1. Estabilidade social (torna o indivíduo eficiente);

  2. Controle social por meio das influências e comportamentos humanos (OLIVEIRA, 1993,p.16)

Os valores que compete à escola trabalhar, transmitir e fazer herdar nas gerações seguintes são valores científicos e o espírito crítico, isto é, a função da escola é fazer munir as crianças de uma sólida cultura intelectual. Ora nesta nobre missão da escola tem de ser integrada socialmente porque nem sempre ao longo da sua história, estes valores estão ali presentes.São objectivos gerais do subsistema do ensino geral.

  1. conceder a formação integral e homogenia que permita o desenvolvimento harmonioso das capacidades intelectuais, físicas, morais e cívicas;

  2. desenvolver os conhecimentos e as capacidades que favoreçam a auto formação para saber fazer eficazes que adopta em as novas exigências;

  3. educar a juventude e outras camadas sociais de forma a adquirem hábitos e atitudes necessários ao desenvolvimento da consciência nacional;

  4. promover na jovem geração e noutras camadas sociais a amor ao trabalho e potenciá-las para uma actividade laboral socialmente útil capaz de melhorar as suas condições de vida (LBSEE n.º32/20, 12 de Agosto).

A escola deve garantir a sua função com os seguintes objectivos gerais:

  1. Garantir condições para que todos os alunos desenvolvam as suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para a vida em sociedade;

  2. Promover o exercício da cidadania a partir da compreensão da realidade para que possa contribuir na transformação do aluno cidadão (LBSEE N.º32/20).

São os seguintes objectivos específicos da escola:

  1. Propiciar formas para que o aluno compreenda a sua importância no seu meio social;

  2. Oferecer oficinas de leitura e campeonato desportivo para que os alunos entendam a importância da leitura em seu crescimento interior e do desporto na saúde física e mental;

  3. Desenvolver atitude de respeito, responsabilidade, cooperação no ambiente escolar;

  4. Desenvolver a capacidade crítico-reflexiva do aluno face as questões político-social-cultural;

  5. Descobrir-se como agente do conhecimento, a partir das actividades propostas na escola (ALMEIDA, 2009).

Para boa parte dos alunos, o professor ocupa uma posição de destaque na escola, sendo considerado um dos maiores representantes da instituição.A qualidade do vínculo estabelecido entre eles e o docente influencia a avaliação que fazem da disciplina, dos conteúdos estudados e até mesmo da escola. Precisamos estabelecer um paralelo entre muitas das opiniões dos alunos, pais e encarregados de educação e o que elas mostram sobre os novos desafios do professor.

Para Viegas (2018) «o exercício da profissão do professor e seus desafios são extremamente exigentes e envolvem muita responsabilidade». Significa que o docente como profissional tem como maior objectivo a formação de seres humanos críticos e aptos para iniciar na jornada profissional e a conviver em sociedade.

Partindo destes pressupostos, há necessidade de construir um perfil bastante peculiar do
professor, que deve representar uma figura ao mesmo tempo paciente, criativa, empática e instigadora. Os professores devem ter consciência das suas atitudes, para um óptimo desenvolvimento do seu trabalho durante o ano, e as‐ sim evitarão as doenças que são adquiridas por pensarem e acreditarem que são culpados pela baixa qualidade da educação em Angola.

Antes de se falar sobre qualidade em educação, é necessário se situar, desvendar os termos a que se refere, a fim de que se possa deparar com os mesmos conceitos referenciais. Por qualidade, deve-se entender o conceito básico da diferença comparativa, que parte de uma escala de valores predeterminados, sob um processo de aceitação; isto é: a condição, a posição dos factos em suas análises. Ela é, antes de tudo, disposição para considerar três aspectos educacionais associativos como inquestionáveis: a carência, a deficiência, e a privação.

Vale lembrar que o professor deve educar o aluno para a liberdade, isto pressupõe «ajudar o indivíduo a formular o seu projecto pessoal de vida e estimular as suas capacidades para que o realize em cada instante da sua existência» defende Diez (2013, p.51). Nesta ordem de ideais é fundamental valorizar as experiências pessoais, pesquisas feitas, pois a realidade actual conduz a observação a respeito da falha de qualidade de ensino, que pode ser avaliado como consequência de muitos factores a serem questionados, entre elas o não reconhecimento da liberdade do aluno aprender, a convicção de talentos individuais. Este último, visa a preparação do indivíduo para papéis sociais.

Essa tendência, liberal tem por princípio a análise crítica da realidade social, sustentando finalidades sociopolíticas, cuja educação é um instrumento da luta de prática social.

De acordo com Viegas (2018) os cinco maiores desafios do professor são: Falta de tempo para actividades pessoais;

  • Lidar com diferentes perfis ao longo de toda trajectória profissional;

  • Identificar, compreender e reparar as dificuldades encontradas pelos alunos;

  • Realizar actividades diversas; Regular a prática do uso do telefone na sala de aula.

O conhecimento profissional resulta de um acumular de experiência num domínio bem definido e é validado pela capacidade de resposta que o profissional e a sua comunidade lhe reconhecem a problemas que surgem no dia-a-dia. Toda escolha, seja qual for a filosofia de base aplicada, condiciona o indivíduo, pois cria hábitos que o levam agir em determinada direcção. Segundo Peterson (2003) o professor era e é impotente perante as múltiplas tarefas que a sociedade lhe concede, devido sobretudo aos seguintes aspectos:

  1. A sua preparação inadequada e o currículo de formação nem sempre era pertinente de modo a contemplar as necessidades gerais e específicas que a profissão impõe;

  2. A falta de meios para o seu exercício;

  3. A falta de poderes reais conferidos pelo Estado através da legislação clara.

O professor precisa criar práticas pedagógicas que seja organizadas e sistematizadas, com a finalidade de promover transformações e avanços no desenvolvimento e na aprendizagem. a inserção das novas tecnologias influencia na forma de vida e do trabalho, causando necessidade de transformação no processos educativo. Ele deve ser um mediador, facilitador e articulador do conhecimento e não apenas aquele que detém a informação. Ele deve actuar como um pesquisador, que provoca o aluno a ser também curioso e descobrir a partir de seus próprios questionamentos. Ele deve convidar o estudante a ver a realidade como seu objecto de estúdio. Além da formação académica, o professor contribui para a formação e o desenvolvimento do aluno enquanto individuo e membro da sociedade, pois proporciona para ele experiencias que vão além do âmbito intelectual. Gonçalves (2008, p.19) entende que:

O professor, enquanto responsável por uma acção sistematizada e crítica na apropriação dos conteúdos científicos e formação dos sujeitos conscientes, precisa adquirir maior compreensão, aprofundamento da função mediadora no processo de ensino, aprendizagem e desenvolvimento dos alunos, buscando superar a fragmentação e o esvaziamento do conteúdo, assim como também enfatizar o compromisso com a socialização dos conhecimentos.

Precisa-se descrever o saber embebido na acção competente de um profissional, a fim de avançar com a ideia de epistemologia da prática pedagógica que visa valorizar o papel da experiência como geradora de conhecimento, pois os factores emocionais dos professores conta bastante na definição das linhas conducentes para uma pratica pedagógica que olha para novas tendências progressistas do ensino liberal como via para dar respostas objectivas dos desafios impostos pela conjuntura política, numa era que pretende validar os saberes locais por meio das experiencias curriculares.

O mal comportamento na sala de aula «constitui assim um mecanismo de exclusão, na medida em que evoca concepções equivocadas de padronização e comparação entre os alunos» (LIMA, Op. Cit.). Se O professor não levar em atenção os elementos pedagógicos que contrariem esta perspectiva, verificamos que, pouco a pouco, os alunos vão sendo excluídos da dinâmica da aula em função do agravamento de problemas disciplinares ou de aprendizagem. Por conseguinte, vão sendo encaminhados de uma instância a outra do sistema escolar ou da saúde, em busca de soluções para manifestações indesejadas, que são consideradas como problemas que lhes pertencem.

A escola termina por transferir aos estudantes, que não conseguem aprender ou se
comportar conforme padrões desejáveis, a culpa por suas insuficiências. Assim, a
responsabilidade não assumida pela escola, segue comprometendo o sucesso escolar destes
alunos.

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os fundamentos que oferece o artigo sobre o Comportamento da criança em sala de aula, tem como referente o desempenho profissional e humano dos recursos laborais da comunidade, a transformação cultural, social e económica da sociedade constituem para os pedagogos e investigadores referentes válidos e demonstrado na actividade pedagógica.

Ao longo do estudo foram consultados diversos investigadores pedagogos, que escreveram sobre este facto e desde uma visão pedagógica os professores em seu desempenho devem motivar o conhecimento sustentado na teoria de Piaget, distribuir responsabilidade, estimular novos conhecimentos envolvendo a família e a sociedade em função da mudança do comportamento dos estudantes.

Da realidade observa-se o enchimento nas salas de aula por vezes super lotadas, programas excessivamente carregadas e influência negativa da família o que conspira em contra do cumprimento dos programas, e leva a fatiga escolar.

Portanto, o conhecimento profissional resulta de um acumular de experiência num domínio bem definido e é validado pela capacidade de resposta que o profissional e a sua comunidade lhe reconhecem a problemas que surgem no dia-a-dia. A escola deve fortalecer a relação entre professor-aluno, pois esta dinâmica constitui o cerne do processo pedagógico Esta relação pedagógica visa o pleno desenvolvimento da personalidade do aluno no respeito pela sua autonomia e, deste ponto de vista, a autoridade de que os professores estão revestidos tem sempre carácter paradoxal, uma vez que, não se baseia numa afirmação de poder, mas no livre reconhecimento da legitimidade do saber.

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Comentários (1)

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Domingos Henriques

Domingos Henriques

14 de set.

Excelente. Um ponto que considero particularmente relevante é perceber que o comportamento do aluno não deve ser analisado apenas como um obstáculo ao processo de ensino-aprendizagem, mas também como uma informação importante para o professor compreender o que está a acontecer em sala de aula. A contribuição da teoria comportamental para a educação continua a ser relevante, sobretudo quando conseguimos relacionar comportamento, ambiente, estímulos e estratégias pedagógicas. Parabéns pela abordagem e pela contribuição para o debate sobre a melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Que este trabalho também incentive novas investigações aplicadas ao nosso contexto educacional.

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